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A história da Sgt. Martinho

Janeiro 27, 2017 - by gbduarte
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Quem era a Sgt. Martinho?

A Sargento Martinho é inspirada numa rapariga que nos anos 60 fez parte do grupo pioneiro das enfermeiras para-quedistas, as primeiras mulheres militares Portuguesas, que voaram para saltar sobre África em missões arriscadas de busca e salvamento.

Quando a guerra terminou as enfermeiras paraquedistas foram reconhecidas como corajosas na missão e também foram importantíssimas para a emancipação das mulheres em Portugal. Foram também ordenadas que regressassem para Portugal.

Se por um lado a Sgt. Martinho tinha saudades do seu país, o seu coração nesta altura já pertencia a África e por mais feliz que estivessem as suas camaradas, ela tinha um peso no peito de tristeza por ter de abandonar aquilo que se tinha tornado na sua terra nos últimos anos. Enquanto as suas camaradas faziam as malas e contavam as horas para regressar a Lisboa, ela contemplava a floresta densa e imaginava como lhe seria difícil sair dali. Lembrou-se de como os seus pais a tinham condenado por se ter tornado militar e de como ela se sentiu mal com a vergonha deles pela sua decisão. Lembrou-se também das amizades e ligações fortes que tinha construído em África que iria abandonar e nunca mais voltaria a ver quando embarcasse no avião de regresso a casa…


No dia de partida, a caminho do avião, as lágrimas escorriam-lhe pela cara abaixo, já com saudades dos que deixaria para trás. As camaradas abraçavam-na e diziam que tudo ia correr pelo melhor e mal chegasse a Lisboa que tudo ficaria bem. Mas em tom de desprezo por aquelas lágrimas, uma das camaradas pergunta-lhe: “Se gostas tanto deles porque não ficas?”. E o que era para ser uma pergunta para a chamar de volta à realidade, soou como a solução que a Sgt. Martinho precisava de ouvir. Um sorriso de perspicácia rasgou-lhe a cara e gritou alto e inesperadamente: “Parem o carro!”.

A Sgt. Martinho já tinha passado por aquela Fazenda de café selvagem abandonada muitas vezes, de helicóptero, quando ia em missões de salvamento. Era uma encosta gigante, um inferno verde de tantas árvores e onde a maioria eram de café. Sentia um ar fresco de esperança a passar-lhe pelo rosto. Sabia que tinha tomado a decisão certa em ficar em África. Tinha pegado nas suas poupanças e comprado aquela extensa montanha.

Com o tempo, muita dedicação e com a ajuda de muitos amigos, a selva foi dominada e a Fazenda foi recuperada. E lentamente foi-se criando uma pequena comunidade apoiada pela cultura do café selvagem…

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